Seguem as 4 matérias publicadas no Jornal da tarde sobre vampiros
Cuidado. Os vampiros estão por perto
http://www.jt.estadao.com.br/editorias/2002/09/22/ger025.html
Domingo, 22 de setembro de 2002
Para ser um deles, não é preciso virar um morto-vivo sugador de sangue. Segundo alguns especialistas, os verdadeiros Dráculas estão presentes no cotidiano de todo mundo: são aqueles que se alimentam da energia alheia para sobreviver, seja no trabalho, no casamento ou na família
Eles não são glamourosos como os dos cinema ou engraçados como os que estão na novela da Globo atualmente. E também não saem por aí mordendo pescoços para se alimentar de sangue. Mas é muito provável que você já tenha se deparado muitas vezes com um vampiro e se sentido muito mal com isso: dor de cabeça, irritação, tristeza e uma angústia inexplicável.
Portanto, vampiros existem.
Pelo menos é o que garantem os especialistas no assunto. Mas as opiniões divergem sobre essas criaturas. Para alguns estudiosos, eles podem ser definidos como as pessoas que sugam a energia das que estão por perto.
Entretanto, na opinião de outros, não está totalmente descartada a existência do ser morto-vivo que sai dos cemitérios na calada da noite. "Não posso nem dizer que existem e muito menos que não existem", afirma Marcos Graminha, presidente da Sociedade Brasileira de Vampirologia.
Na avaliação de Marcos Torrigo, vampirólogo e autor do livro Vampiros, esses seres atacam seus alvos em viagens astrais. "Eles saem do corpo e sugam a energia de suas vítimas." Os ataques, na maioria dos casos, são com pessoas de relações próximas. "E esse vampiro pode ser uma pessoa viva ou alguém que já morreu."
"Os vampiros reais não são tão espetaculares e sedutores como os do cinema, vivendo em castelos, mas atrapalham as relações do dia-a-dia", garante a terapeuta holística e pesquisadora de bioenergias Vera Caballero, de 40 anos. Ela aponta que São Paulo é uma cidade propícia ao vampirismo.
Segundo ela, o vampiro suga o sangue, mas de uma maneira simbólica. "Eles sugam a energia vital que move o ser humano." E podem fazer isso inclusive usando os meios de comunicação, como telefone e internet.
De acordo com Vera, todas as pessoas, por mais equilibradas que sejam, já foram vampiras em algum momento, porque a vida é feita de troca de energia.
"Nós nos beneficiamos da energia do outro no dia em que não estamos bem e vice-versa." Mas esses casos não podem ser considerados problemáticos, na avaliação da estudiosa, porque é uma relação de dar e receber entre as pessoas.
Pessoas sem vínculos com a vida
O vampirismo se torna um problema quando se convive com parentes, amigos ou colegas de trabalho que apenas sugam a energia dos que estão por perto. Eles podem ser definidos como vampiros inconscientes (veja os tipos ao lado). "São pessoas tão desequilibradas que cortaram o vínculo com a vida e, por isso, perderam a capacidade de se nutrir com as fontes naturais de energia, que são a alegria, o prazer em fazer o que se gosta, o sexo e outras atividades", diz Vera.
Sem a energia vital, essas pessoas tentam "roubar" a vitalidade das demais para se nutrir. Vera garante que é fácil reconhecer quando esses vampiros se aproximam.
Os sintomas mais comuns são sensação de cansaço, de desvitalização, dor de cabeça, tristeza e muitos outros sintomas, que variam de pessoa para pessoa.
"Os meios de comunicação amplificam a energia e a vítima pode começar a se sentir mal depois de ler um e-mail ou conversar ao telefone."
No grupo dos inconscientes, existem ainda os vampiros sexuais. "É quando após a relação sexual um dos parceiros se sente extremamente extenuado e desvitalizado." A terapeuta explica que isso independe do relacionamento ser ou não feliz.
Apesar de nocivos, os vampiros inconscientes estão longe de serem os mais perigosos. Os mais devastadores não são os que sugam a energia, mas os que impedem que suas vítimas sigam o caminho que lhes traz felicidade.
Os exemplos desses vampiros que dificultam caminhos não faltam: pais que decidem a profissão de seus filhos ou maridos e esposas excessivamente ciumentos. O processo também é inconsciente. "Com o tempo, os que são vampirizados vão perdendo a vitalidade porque deixam de fazer as coisas que davam prazer em suas vidas."
Vera explica que os vampiros vão sempre atacar os pontos fracos de suas vítimas. "Inconscientemente, as pessoas percebem a fraqueza das demais mesmo nas relações superficiais de trabalho." Atacar esses pontos é uma maneira de desequilibrá-las, para ficar mais fácil roubar energia.
Para entender isso, a estudiosa cita exemplos da novela O Beijo do Vampiro.
"O vampiro Bóris (Tarcísio Meira) consegue matar seu desafeto Beto (Tiago Lacerda) ao seduzi-lo para o que ele mais queria, que era uma grande oportunidade de trabalho. Esse era o seu ponto fraco. Se fosse com uma mulher bonitona, o vampiro não conseguiria, porque Beto era bem casado e apaixonado pela mulher."
Os paulistanos ainda vivem em uma cidade favorável aos vampiros. Isso porque a capital está longe da natureza que recicla as energias. Os alimentos já chegam desvitalizados e as pessoas têm pouco tempo para tomar sol. Alem disso, o metrô é o lugar onde mais se pode atrair um vampiro. "É um transporte subterrâneo e as pessoas já estão irritadas de estar lá dentro."
Existem algumas receitas para combater vampiros. Vera recomenda que, sempre que possível, os vínculos com esses seres sejam cortados. Em caso de relações de trabalho, o jeito é tornar a figura do vampiro patética e não se incomodar com as suas estratégias.
Cristais e banhos podem ajudar. Outra alternativa são florais à base de alho, flor de São Miguel e líquidos para se tomar ou borrifar no ambiente.
Os gráficos de radiestesia também podem ajudar. "Mas o principal meio é estar bem com você mesmo."
MARICI CAPITELLI Jornal da Tarde
Especialistas em roubar energia
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Domingo, 22 de setembro de 2002
Vampiros estão sempre associados a cemitérios ou a caixões. E com certeza esse é o tipo mais assustador. A pessoa mais indicada para responder à pergunta se esses vampiros existem ou não é o vampirólogo Marcos Graminha.
Aos 33 anos, ele é presidente da Sociedade Brasileira de Vampirologia, entidade fundada há dois anos. Mas a resposta dele é tão enigmática como o assunto: nem sim, mas muito menos o não.
Na opinião de Graminha, o vampirismo tem muitas outras nuances e vai além dos vampiros inconscientes que sugam energia dos parentes ou colegas de trabalho. Como exemplo dos inconscientes, ele cita o caso de uma francesa que, na década de 30, estava com câncer e em estado terminal. A mulher não morria apesar de seu estado crítico.
Entretanto, as mais de 200 empregadas que teve acabavam em estado de inanição e por pouco não morreram de tão extenuadas. O caso se tornou tão grave que a Justiça Francesa determinou que a mulher não poderia mais contratar empregadas. "Ela morreu em 90 dias. Não tinha mais como se nutrir da energia das empregadas."
Graminha ressalta que existem os vampiros prânicos e sexuais. São pessoas que conscientemente se especializam em roubar energia. Mas são casos raríssimos. "É possível estimar que existem na proporção de um para cada 100 milhões de pessoas", ressalta.
O treinamento ocorre em lugares específicos, em todo o mundo, mas o presidente mantém total sigilo sobre essas "escolas". "Elas não são nem reais e nem virtuais", despista Graminha.
Os vampiros sexuais treinados têm como característica trocar afeto com o parceiro durante a relação sexual. "Mas, na hora do orgasmo, ele tira toda a energia do companheiro. Algumas pessoas podem entrar em coma."
O vampirólogo Marcos Torrigo, de 33 anos, estudioso do assunto há 8 anos, explicou que o vampirismo ocorre em viagens astrais. O fenômeno acontece quando a parte etérea do corpo (menos densa que a matéria) consegue abandonar o físico. Ao sair, ele vai até as vítimas para roubar energia na maioria dos casos de pessoas próximas a ele.
"As vítimas têm sonhos com essa pessoa, acordam cansadas e começam a se debilitar fisicamente." Ele garantiu que a viagem astral pode ser feita por vivos e mortos. "No caso dos vivos, a maioria não sabe que faz isso." Com relação aos mortos, a situação se complica. "A pessoa não sabe que morreu e fica se mantendo entre os dois mundos roubando energia dos outros. Pode ser comparado ao que os espíritas chamam de encosto."
'Kit proteção' contra más energias
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Domingo, 22 de setembro de 2002
De tanto encontrar com vampiros ao longo da vida e ser sugada por eles, a comerciante Verônica Silveira, de 48 anos, tem até um kit de proteção para se defender de eventuais investidas.
Em seu escritório, em Moema, zona sul, não faltam objetos para neutralizar os ataques dos vampiros.
O principal deles é um conjunto que inclui pote de cristal transparente com sal grosso, três cabeças de alho e um cristal amestista. Ela garante que troca os ingredientes com frequência. "O sal chega a ficar preto."
Além do kit, Verônica não abre mão de objetos como: olho grego, santos, velas de sal grosso e outros. Ela também tem máscaras africanas. "São ótimas para a proteção." Se tudo isso não for suficiente, a comerciante toma banhos de ervas e borrifa florais de alho.
Pode parecer exagero, mas essa paulistana conta que em sua família existem vários vampiros.
Um dos casos foi tão grave que ela precisou cortar o relacionamento com uma parente muito próxima para se manter viva. "Ela era uma energia tão negativa na minha vida que chegava a me abater fisicamente."
Durante vários anos, ela diz que não conseguia perceber o que a deixava se sentindo tão mal. "Com o tempo, fui percebendo a existência desses vampiros e descobrindo os caminhos para me proteger."
Há quase dois anos, ela fechou uma empresa de telefonia que teve durante 12 anos e abriu uma loja de produtos esotéricos.
O seu trabalho é diretamente com o público e por esse motivo ela acredita que precisa se proteger ainda mais. "Existem clientes que entram na loja e imediatamente sinto a minha vitalidade cair". Ela não pensa duas vezes e corre para os seus acessórios de proteção. "Não abro mão deles."
Turmalina negra
A taróloga Bia Garcia, de 42 anos, afirma que só fica suscetível a ser sugada energeticamente quando está com seus clientes.
Para se garantir, ela sempre atende com uma turmalina negra na mesa. "Se não é possível estar perto da pedra grande carrego uma comigo sempre abaixo da linha do umbigo."
Ela também toma banho de ervas e não sai de casa sem o pentagrama. "É preciso se proteger porque não sabemos que tipo de pessoa vamos encontrar pela frente."